"Há perguntas que nos batem à porta com a subtileza de um vendedor, querem falar de energia, evangelizar sobre tarifários ou convencer-nos de que um aspirador que faz smoothies é o futuro da civilização. Mas nenhuma destas ousadias domésticas se compara à pergunta que agora atormenta o nosso imaginário jurídico-nacional: “Are you lobbying to me?” – dita com o mesmo ar de suspeita existencial de Robert De Niro em Taxi Driver, como se o país inteiro, em frente ao espelho, estivesse a tentar perceber se alguém o anda a influenciar… ou se é só paranoia institucional.
Falar sobre o novo regime jurídico do lobby é reconhecer que Portugal decidiu, finalmente, iluminar uma zona cinzenta da vida pública que todos sabiam existir, mas que até aqui renegavam a sua evidência".