A polémica criada pelas recentes declarações da apresentadora da TVI, Cristina Ferreira, a propósito da violação de uma jovem por vários rapazes, trouxe à discussão pública o tema da violação, cujos pressupostos, o Parlamento Europeu, através de um relatório aprovado no passado dia 26 de abril por larga maioria, pretende ver alterados.
A recomendação, enviada à Comissão Europeia, assenta em cinco pontos essenciais:
Questionada no podcast "Justiça Cega" da Rádio Observador sobre se a lei portuguesa já abrange estes pressupostos, Raquel Caniço, Advogada da Caniço Advogados, foi clara: "Portugal ainda não está propriamente no modelo Europeu. O nosso Código Penal continua a exigir a violência, a ameaça grave ou a impossibilidade de resistência". Neste momento, segundo Raquel Caniço: "O elemento central não é o consentimento, é o constrangimento. São circunstâncias um bocadinho diferentes que têm muita relevância neste tipo de crime". De acordo com a advogada: "Isto coloca-nos um pouco atrás daquilo que foi definido na Convenção de Istambul em 2011, que de certa forma está na base deste relatório".